Erro Nº 1 Trocar el por lo.

Nem todo iniciante de espanhol sabe que em português existem quatro artigos e em espanhol cinco. Isso leva os menos avisados a cometer enganos. Os artigos femininos não apresentam maiores problemas.

 

La e las definem o feminino singular e plural. A coisa se complica com o uso do masculino e neutro. Há três formas possíveis: el, los, lo. O que faz pensar de imediato que lo é o singular de los. O que constitui um engano, pois el é o singular de los. Logo se diz el libro e los libros, el zapato e los zapatos, etc. O uso do lo é mais complexo, servindo para substantivar adjetivos, advérbios e orações com o pronome relativo que. Por exemplo, ‘bueno (bom), que é um adjetivo, alguien es bueno o alguna cosa es buena’, ao ser empregado como substantivo exige o artigo lo. ‘Lo bueno es vivir tranquilo y lo malo (ruim) es odiar’. Para facilitar a compreensão, pode ser traduzido em português por aquilo que. Ex.: Aquilo que queria era ser feliz . ‘Lo que quería era ser feliz’. O que nunca pode ser feito, e que é típico do portunhol, é usar o artigo lo antes de substantivos. Dizer ‘lo libro’, ‘lo zapato’ é totalmente errado.

 

Erro Nº 2: Usar artigo antes de pronome possessivo

É quase sempre facultativo em português o uso do artigo antes de um pronome adjetivo possessivo. Não raro as pessoas falam ‘estive com a sua irmã’ em vez de ’estive com sua irmã’, ou então ‘o meu amor por você é infinito’, em vez de começar simplesmente com ‘meu amor’… Se em português serve às vezes até para dar ênfase, em espanhol não tem o mesmo efeito e fica bastante esquisito colocar o artigo na frente do pronome possessivo. O correto, então, é: ‘estuve com tu hermana, mi amor por ti es infinito.

 

Erro Nº 3: Usar artigo antes de nome próprio

Em espanhol soa estranho dizer ‘el Pedro’ (o Pedro) ou ‘la Europa’ (a Europa). Há apenas alguns casos em que se pode usar o artigo antes de nome de pessoas, cidades, países e continentes. Exceções: el Congo, la Somalia, la Libia, La Habana, el Japón, la India, el Escorial, Los Ángeles, los Estados Unidos, la Argentina, el Ecuador, el Uruguay, el Brasil, el Paraguay, el Perú.

 

Erro no 4: Trocar tengo que por tengo de

Em português é facultativo o uso de ‘tenho de’ ou ‘tenho que’. Diz-se tenho que trabalhar ou tenho de trabalhar. A tendência do bom portunhol é colocar o verbo em espanhol e usar tengo de ou tengo que indiscriminadamente. O que soa estranho à língua castelhana, pois o uso do tener de infinitivo é pouco freqüente. Ex.: ‘Tengo que estudiar’. No caso de querer expressar uma obrigação, o correto seria usar o verbo haber regido pela preposição de: ‘He de estudiar’, ‘has de escribir la carta’, embora mais comum seja empregar o verbo deber: Debo hablar con él.

 

Erro Nº 5: Usar a preposição de como meio de transporte

Às vezes uma pequena preposição pode fazer diferença. Diz-se ‘voy en auto’ e não ‘de auto’, ‘viajo en tren’ e não ‘de tren’. Em geral os meios de transporte pedem a preposição ‘en’: ‘en coche’, ‘en camión’, ‘en ómnibus’, ‘en bicicleta’, etc.

 

Erro Nº 6: Não usar ir a

Em se tratando do verbo ir, o normal é usar a preposição a, mesmo quando tem dois verbos. Ex.: ‘Voy a pensar’, ‘va a estudiar’. Por isso é comum ouvir um falante de espanhol dizer em portunhol: ‘Vou a trabalhar’, em vez de vou trabalhar.

 

Erro Nº 7: Confundir a grafia dos dois idiomas

Em espanhol escreve-se: ‘Tal vez’, ‘a pesar’, ‘a través’, ‘con todo’, ‘en fin’, ‘sobre todo’.

 

Erro Nº 8: Tropeçar no ie

O verbo querer é o mesmo em português e espanhol. Mas, se você disser yo quero, estará errando. O certo é yo quiero, pois em espanhol o verbo querer tem no presente e nos tempos derivados deste a flexão quiero, quieres, quiere, queremos, queréis, quieren.

Muitos verbos em castelhano transformam a vogal e em ie, em todas as pessoas, com exceção da primeira e da segunda pessoa do plural. O mesmo ocorre com verbos como pensar (pienso, piensas, piensa, pensamos, pensáis, piensan); preferir (prefiero, prefieres, prefiere etc.), mentir, perder, sentir, referir, defender, atender, sugerir etc.

 

Erro Nº 9: Tropeçar no ue

O verbo devolver no infinitivo tem a mesma forma em português e espanhol. Mas, se alguém disser ‘yo no devolvo el libro para usted’, estará errando. O certo é ‘devuelvo’. O mesmo ocorre com alguns verbos que têm um o no radical. Então o ‘o’ vira ‘eu’ na flexão em espanhol. Por exemplo, o verbo ‘poder’ no presente do indicativo é puedo, puedes, puede, podemos, podéis, pueden. É também o caso de mover, dormir, apostar, devolver, soltar etc.

 

Erro Nº 10: Dizer Tú es

É provável que em bom portunhol você se dirija a alguém com as palavras: ’Tú es’ muy simpática… O erro que você estará cometendo em espanhol é semelhante ao de dizer nós vai em português. O correto é: ‘Tu eres muy simpática’. A forma es corresponde à terceira pessoa . él, ella, usted.

Ex.: ella es muy observadora.

 

Erro Nº 11: Arriscar uma forma verbal nova

a: Quem fala portunhol geralmente conhece alguns verbos em espanhol, o que ajuda a dar um toque espanhol à conversa. Mas como o conhecimento é limitado, é mesclado com o português.

Por isso é tão comum ao portunhol a interessante mistura que une o verbo em espanhol com a conjugação em português. Outras vezes o verbo é muito parecido ou até mesmo igual, mas a conjugação é um pouquinho diferente. Detalhes aparentemente imperceptíveis, mas que não negam o portunhol. Existem alguns tempos verbais que, devido à sua semelhança nas duas línguas, se prestam mais a esse tipo de combinação. É o caso do passado e do futuro simples. Assim podemos ouvir alguém dizer:

No pretérito simples:

‘Hablei con ella’ em vez de ‘Hablé con ella’

‘Él no pensou nada’ em vez de ‘Él no pensó nada’

‘Ellas cantaram’ em vez de ‘Ellas cantaron’

 

É fácil entender que essa confusão se deve à semelhança entre alguns verbos, principalmente os regulares da primeira conjugação. Esse tipo de pretérito se parece muito. Compare com o verbo pensar: Yo pensé, tú pensaste, ella pensó, nosotros pensamos, vosotros pensasteis, ellos pensaron.

b: A possibilidade de confusão é maior ainda no futuro simples, pois a diferença é sutil, principalmente nos verbos regulares das três conjugações.

Compare com os verbos amar, beber e sentir.

 

 

Amar

Beber

Sentir

Yo

Amaré

Beberé

Sentiré

Amarás

Beberás

Sentirás

Él, ella, Ud.

Amará

Beberá

Sentirá

Nosotros

Amaremos

Beberemos

Sentiremos

Vosotros

Amaréis

Beberéis

Sentiréis

Ellos, ellas, Uds.

Amarán

Beberán

Sentirán

Logo, é fácil cair na tentação do portunhol e dizer:

‘Amarei mucho’ em vez de ‘amaré mucho’

‘Beberei un poquito’ em vez de ‘beberé un poquito’

‘Sentirei tu falta’ em vez de ‘sentiré tu falta’

 

Erro Nº 12: Trocar estaba por estava

O correto é estaba, e não estava, que é escrever espanhol errado. Porém se não fosse a escrita não haveria maiores problemas, pois a pronúncia é muito semelhante.

A mesma confusão ocorre com outros verbos referentes a esse tipo de passado. No caso da primeira conjugação ‘ar’ a terminação é em ava em português e aba em espanhol. Logo, enquanto em português se diz: ‘Quando eu estava na faculdade’, às vezes estudava, jogava futebol, viajava bastante, conversava com meus amigos…, em espanhol os v viram b. O que dá aos brasileiros a falsa impressão de estar escrevendo errado. Assim, temos: ‘cuando yo estaba en la universidad’, a veces estudiaba, jugaba al fútbol, viajaba bastante, conversaba con mis amigos etc.

 

Erro Nº 13: Usar o verbo tener (ter) como auxiliar

Se em português parece pouco natural usar nos dias de hoje o verbo haver como auxiliar, em espanhol é corretíssimo. E este é um ponto imperceptível para quem fala portunhol. Pois em português normalmente usamos o verbo ter para formar os tempos compostos, como em tenho feito, tem andado, tem escrito etc. O auxiliar haver é mais raro, pois pertence a uma linguagem mais clássica. Assim, dizemos tenho amado e não hei amado. Em espanhol a situação é diferente. Utiliza-se o verbo haver nos tempos compostos.

Então, se diz: ‘Yo he amado, tú has hablado, ella ha cantado, nosotros hemos visto, ellos han copiado’. A princípio os brasileiros estranham um pouco essa dobradinha com o verbo haver, já que lhes dá uma sensação terrível de formalidade. Mas é a expressão certa na língua castelhana.

 

Erro Nº 14: Trocar o tempo do passado composto

Bom, agora que você já foi alertado para o emprego do verbo haver nos tempos compostos, abra o olho para mais um detalhe. É que na hora de usá-lo não dá para se guiar pela lógica do português. A composição do verbo haber + particípio segue algumas colocações diferentes ao verbo ter + particípio do português. Em português serve para se referir a uma situação ainda não terminada. Já em espanhol se refere a situações concluídas, mas que ainda estão presentes: ‘He visto un progama muy bueno’. Note que o fato de usar esta construção não implica que você tenha feito a ação repetidamente. Pode ter sido apenas uma vez. Por isso você pode falar ‘he roto el vaso’, querendo dizer ‘quebrei o copo’ e não ‘tenho quebrado o copo’. Também se usa esta forma verbal para períodos de tempo. Ex.: ‘El año de 1985 ha sido excelente’; ou então: Han estudiado mucho la semana pasada. Em outro caso, note a diferença entre os dois comentários: pode-se dizer ‘Yo he nacido em Brasil’, mas é errado dizer Santos Dumont ha nacido en Brasil. Isso porque o segundo já morreu, e a ação de nascer fica distante e separada do presente. Também não podemos dizer: ‘Augusto ha sido uno de los imperadores romanos’, pois o Império Romano não existe mais. Logo: ‘Augusto fue uno de los imperadores romanos’. Essa diferença é a princípio um pouco sutil para quem fala portunhol, donde a tendência para usar o tengo feito, tengo escrito etc. da mesma forma que em português.

 

Erro Nº 15: Escorregar no gerúndio

A diferença é pequena mas se agrava no portunhol. Quando o verbo é da primeira conjugação, não há problema. Permanece igual: cantar, cantando; mandar, mandando; pensar, pensando. Já as conjugações em er e ir oferecem certa dificuldade, pois de acordo com o verbo podem terminar em iendo ou yendo. Por ex.: comer: comiendo; beber, bebiendo; leer, leyendo; ir, yendo. Ainda há mais um detalhe com os verbos terminados em ir e que possuem um e na penúltima sílaba como sentir.

Neste caso o e se transforma em i. Logo: sentir, sintiendo; pedir, pidiendo; medir, midiendo; preferir, prefiriendo; divertir, divirtiendo; etc. O mesmo ocorre com alguns verbos que tem um o no radical.

Este muda para u, como em morir, muriendo; poder, pudiendo.

 

Erro Nº 16: Trocar o sentido do gerúndio

Você acha que esta frase está correta? ‘Los ladrones asaltaron el banco, siendo detenidos a seguir’. Os ladrões assaltaram o banco, sendo detidos a seguir. Está errada. O certo é: ‘Los ladrones robaron el banco y fueron detenidos a seguir’. Pois em espanhol o gerúndio se caracteriza por demonstrar ação simultânea, nunca posterior. Ex.: ‘Hablando sobre el asunto descubrió el secreto’.

 

Erro Nº 17: Derrapar no condicional

É correto dizer: ‘Si yo estudiar, aprobaré el examen? Não. Sabe por quê? Em português existem mais tempos verbais que em espanhol. E o futuro do subjuntivo, que é usado na composição do condicional junto ao futuro simples, é um deles. Ex.: Se eu escrever receberei notícias. Como em espanhol não existe o futuro do subjuntivo, a forma de construir a frase é diferente. Utiliza-se o presente em seu lugar: ‘Si yo escribo recibiré noticias’. Uma construção estranha ao português e ao portunhol. A tendência é dizer si yo pensar, em vez de si yo pienso, si yo cantar em vez de si yo canto e assim por diante.

 

Erro Nº 18: Não saber que escribiese = escribiera

Você pode usar as duas formas. Si yo cantase sería famosa ou si yo cantara sería famosa.

Apesar de a segunda forma cantara soar estranha aos brasileiros, já que é utilizada para referir-se ao passado.

 

Erro Nº 19: Trocar tener e haver

A utilização desses dois verbos costuma dar um bom portunhol. É que em português, na linguagem do dia-a-dia, quando se quer dizer que existe alguma coisa em algum lugar se emprega geralmente o verbo ter. Tem objetos na mesa, tem um sofá na sala etc. No portunhol, ocorre o mesmo. Utilizase o verbo tener na mesma situação: ‘Tiene gente en la fila’, ‘tiene objetos en la mesa’. E se acaba trocando as bolas, pois em espanhol o verbo ter tem o sentido de possuir e não o de existir.

Logo, quando se quer dizer que existe alguma coisa em um lugar usa-se o verbo haver. ‘En la mesa hay objetos’, ‘en la fila hay personas’, e não en la fila tiene. Você não deve dizer, por exemplo, que la calle tiene una ladera, a rua tem uma ladeira, mas, ‘en la calle hay una ladera’, na rua há uma ladeira.

 

Erro Nº 20: Não dizer gastado e pagado

Em espanhol, não há as formas de particípio passado como gasto e pago; só se pode dizer: ‘Tú has ganado la partida’, ‘él ha pagado la cuenta’. Pago em espanhol é um substantivo e equivale a pagamento.

 

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